domingo, 15 de setembro de 2013

Leitura e Escrita

DEPOIMENTO DE LEITURA E ESCRITA

Após a leitura dos depoimentos sugeridos referentes  às experiências com leitura e escrita, vêm à  minha mente lembranças de infância, pouco frequentes , talvez, por falta de tempo, por falta de estímulo: os primeiros livros de Monteiro Lobato, sugeridos por minha mãe; e mesmo as primeiras  obras   que li, de Machado de Assis, na 5ª série, consideradas  por mim cansativas e quase incompreensíveis (as quais fui realmente entender  alguns anos depois , nas releituras).  Cenas cotidianas, como fazer lição de casa na cozinha (como  mencionou Gilberto Gil), recebendo as orientações de minha mãe e das dificuldades que tinha quando o tema da redação era livre ( odiava isso e me identifiquei com o depoimento de Gabriel, o pensador).
Só mais tarde constatei  que o gosto pela leitura e pela escrita só se dá a partir do exercício descompromissado, por divertimento e não por obrigação.
Também  com o tempo passei a  compreender o significado da antropofagia  literária, citada por Rubem Alves,  onde consumo o trabalho do outro e me aproprio do texto, das ideias e sensações a que ele  me  remete.  E aceito com naturalidade a vontade que vem , esporadicamente, de redigir um pequeno texto,  um desabafo que seja,  sem pensar que isso não esteja ao meu alcance porque não sou uma escritora,  e me dar ao direito de reescrevê-lo quantas vezes achar necessário,  usando o cestinho de lixo como “amigo”, conforme o depoimento de Moacyr  Sciliar, na intenção, é claro, de aprimorar o que estou escrevendo.  Em suma, leitura e escrita necessitam de exercício e incentivo, e a influência da família nessas experiências foi  muito importante para mim. Minha mãe era alfabetizadora e meu pai tinha apenas a 4a. série, o que não o impedia de valorizar e incentivar meus estudos.
Como citou Newton Mesquita, ao referir-se a uma imagem que vemos e gostamos muito e temos a sensação de que ela esteve sempre dentro de nós,  sinto que certas obras que leio me transportam  para a estória, como se dela eu fizesse parte.  Acho que da mesma maneira que é prazerosa a  leitura , deve ter sido prazerosa a concepção da obra que, pois quem escreve tem a intenção de atingir o leitor de uma forma especial.  Eis a mágica da leitura:  nos dar a oportunidade de “ser” o personagem, de “estar” no local descrito e de “sentir” o que o autor deseja que sintamos.

Saber  combinar as palavras é uma aptidão que muitos não têm.  Mas , ao menos, temos a oportunidade de  desfrutar  dos prazeres ofertados pelos bons livros que nos abrem novos horizontes, nos tornam mais críticos, mais sensíveis, fazendo com que possamos descobrir nossos próprios pensamentos e nossa própria fala, tendo como exemplo a fala e o pensamento que alguém expôs ao escrever.
LÚCIA LEME DE SOUZA












Nenhum comentário:

Postar um comentário